domingo, 12 de junho de 2011

Cobrar é o de Sempre!

Quero ver você inovar!
Cadê a sua essência valorativa? Será que já a tivemos? Precisamos exercitar para tê-la?
Cobrar é um dom natural. Todo mundo sabe cobrar, todo mundo sabe dizer o quê você fez errado ou o quê deixou de se fazer, quero ver você dizer o que foi bem feito. Duvído!
Todo o dia você lava os pratos e ninguém fala nada, mas no dia em que você deixar de lavar... todo mundo vai falar, e não pense que essa fala será uma fala normal, uma fala mansa... Não! Essa fala virá cheia de autoridade e geralmente num tom elevado, às vezes repleto de um sarcásmo ácido,(depende muito da inteligência do repressor). Não sou à favor de meditação, de incenso e... Pra falar a verdade, tenho uma forte desavença com Indús, mas uma coisa é fato... As pessoas precisam se acalmar! 
Eu tenho pena do mundo, porque o mundo não relaxa! Eu sou um mar de cobranças e tenho cobranças do tamanho de um mar, elas são salgadas, ferem, mas contém iodo que arde e sara, aposto que isso dá câncer, até por que hoje em dia tudo dá câncer! Talvez nós sejamos os culpados das culpas, talvez o sistema todo esteja errado, talvez a sociedade tenha evoluído para o câncer!

Talvez a melhor carreira do mundo atualmente seja ser Chinês, a atual potência, ou seja simplesmente voltarmos a ser piratas, que vivem no mar, sem culpas, seres sem terra, acumulando tesouros e os deixando em terras que não são suas, formando, assim, ilhas de tesouros... Onde se deixa tudo o que se ganha, talvez o segredo seja esse.
Ter para deixar de ter,
Talvez a onda seja só acessar de vez em quando.
Ter para deixar de ter...

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Injustiça? Vaidade? Destino? Ordem divina?


Tenho a mais absoluta certeza de que todas a funções convergem para um equilíbrio perfeito, ou que não seja perfeito, mas que tente chegar lá a todo instante... Há quem diga que os advogados estragam um pouco esse bem estar, há quem diga...

Advogados e médicos são os únicos que são chamados de doutores independentemente de fazerem doutorado. Injustiça? Vaidade? Destino? Ordem divina? Tanto faz! Eles lidam com vidas... podem salvá-las ou desgraça-las. É uma moral e tanto... Temos que assumir!

Nós atores não lidamos com vidas.

Nós tocamos as vidas.

Fazemos com que as pessoas  se reconheçam à partir de nós mesmos. Isso não é mágica, não se trata de uma brincadeira, é o nosso trabalho. 

É um trabalho difícil. É um trabalho bonito... E devia ser mais valorizado e respeitado, por nós da classe e pelos outros. Podemos fazê-lo rindo ou chorando,  sofrendo ou relaxados... Alguém tem que fazer o trabalho... Como qualquer outro, alguém tem que fazer... Assim preservamos o equilíbrio.

Eu sou um ator! Eu sou um comediante!

Sou uma certeza que na carreira incerta as coisas sempre vão tomar seu melhor caminho. Que nós comediantes somos os consoladores de tudo o que deu errado e de tudo que vai dar. Somos os anti-depressivos mais baratos e naturais que a humanidade foi capaz de criar. E onde houver uma alma com a essência do palhaço, lá nós estaremos vivos e o mais difícil de viver é se perguntar sempre por quem vai nos consolar.
Assim como médicos e advogados, também podemos salvar vidas. Nós também somos doutores.
Doutores da Alegria!

terça-feira, 10 de maio de 2011

A onda mirabolante e febril dos stand ups!



Pessoas, um palco, luz, pedestal, microfone e pronto! O resto é subverter! Cada um monta o seu material e manda ver.
Isto obviamente cabe aos éticos, porque o que tem de gente roubando a idéia do outro é um absurdo... Estamos numa terra de ninguém onde provar é sempre subjetivo... Fora que temos que contar com o que está no inconsciente coletivo... É claro que o fato de o Bin Laden morrer gera um milhão de stand ups sobre terrorismo mundial e blá blá blá... Obama...blá blá... Dilma... À princípio ninguém copiou ninguém! Estamos todos vivendo no mesmo mundo... Graças a Deus, porque isto é um dado a menos de aprovação para teoria da existência de ETs.

O que está em jogo é um outro olhar das coisas já vistas, a novidade está em retirar de coisas aparentemente cotidianas um dado que as pessoas ainda não repararam e montar uma versão pra isso! Analogias é um trunfo muito usado para fazer algo comum se tornar interessante, dentre outros pequeninos caminhos para um material bem sucedido.

Acho que a febre tem sido tão grande que ao ser convidado para uma participação num show fui quase espancado verbalmente quando disse que não tinha um material de stand up. Passei alguns dias chocado com o fato... Saí como um maconhado durante uma semana tentando reparar no mundo, tentando não passar pelos detalhes das coisas que se apresentavam. Perdi uns cinco compromissos com essa nova filosofia, e algumas amizades também. E de repente juntei as coisas e montei um material, mas por ironia do destino ninguém me chama mais para fazer stand up. Não sei  exatamente se isso é bom ou ruim, acho que buscar o objetivo de fazer algo é o mais importante... o percurso às vezes te ensina mais que a chegada.

Se stand up é teatro, se stand up é para atores, se stand up é ou não é... Eu não tô nem aí!!!! No final só resta o julgamento de um público que vai dizer:

Isso é bom ou Isso é ruim.

Me sinto melhor por ter meu material. 

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Encontro de Águas



Nunca ví chover tanto! A Praça da Bandeira estava inundada, os carros estavam boiando à deriva, os rios transbordaram fazendo das ruas lugares de correntezas fortes, mas isso o Rj TV já divulgou no dia seguinte. O interessante é ver pessoas de todas as classes sociais, credos, etnias entre outras diferenças, se espremendo nas salvadoras marquises. Alí, ví uma mulher grávida, ví uma que tinha um recém-nascido nos braços, ví gente velha e nova com o mesmo semblante, com o mesmo sentimento, ví gente que esperava com classe e ví  gente fazendo barraco enquanto xingava os governantes...
O recorde de ofensas foi destinado ao casal Garotinho e Rosinha Mateus, que em épocas de poder nunca fizeram nada pela cidade, faziam somente políticas assistencialistas para ganhar votos. Um homem que morava na rua da frente disse que se não fosse por Cesar Maia aquela água não escoaria em menos de uma semana. Os olhos fixos na correnteza que passava pela Doutor Satamini na altura da praça Afonso Pena na Tijuca, apresentava um novo dado constantemente... desde um novo carro que parou enguiçado à uma pessoa que enfrentava o dilúvio com a certeza que o sacrifício seria uma vantagem... Ledo engano!
Eu e meu sogro estávamos a cinco ruas da casa dele e apesar de estarmos de carro tivemos que subir a calçada e esperar embaixo de uma marquise. Quando nos deparamos com aquela discussão política tão acirrada meu sogro ficou boquiaberto e eu fiquei com um sentimento de orgulho daquelas pessoas. Não que eu concordasse com as coisas que foram ditas, mas pelo o exercício da discussão política. Embora superficial era democrático e isso é um dado riquíssimo, por que esse encontro geralmente é provocado, ele quase nunca acontece espontaneamente... Enquanto discursava um senhor que trabalhava na Petrobrás e fazia um curso noturno de especialização na Fundação Getúlio Vargas, rebatia o porteiro o mesmo assunto e com a mesma propriedade... Convenhamos, isso não acontece todo o dia...
A chuva começara a cair 8:40 da noite e às 4:00 da manhã cheguei na casa do meu sogro. Sei lá de quem é a culpa... fiquei triste por ver a cidade inundada daquela forma... Fiquei compadecido das pessoas que moravam longe e que dependiam do transporte público... Fiquei impressionado com a discussão política... E fiquei feliz pelo encontro daquelas pessoas.

sábado, 9 de abril de 2011

O Artista Popular



Meu sono me surrava e ainda era sete horas da noite. Sem a mínima piedade o sono olhava pra mim como se dissesse: Pague meu preço amante da Madrugada! Filho ingrato do Sol, porque o traiste?!?!?!! Tome a ira do meu poder!
A criatividade noturna é uma prática cara e é difícil negociar com o sono, a cafeína e outras inas também tem um preço... preço alto demais às vezes. Não gosto das idéias mais pesadas…

Terminada a gravação em Vargem Grande/Pequena,(não sei qual é qual), iniciava-se a odisseia que facilmente daria uma trilogia ou mais... Mas o trajeto não é o foco de hoje.
Nesse dia apenas estava preocupado em chegar em casa, tinha dois ônibus para enfrentar e muito tempo para encontrar a melhor posição para dormir entre uma freiada e outra. Pegamos a Linha Amarela, (238), e quando saltei já era pra atravessar a rodoviária para pegar o 233. Era um ônibus com ar-condicionado, o que agravou o caso do sono. Tinha bastante gente sentada, mas não estava lotado. Uma velhinha com cara de rica que foi roubada pelo filho maldoso e sem caráter senta-se ao meu lado com a pompa de uma Orleans & Bragança... e no próximo ponto entra pela porta de trás uma figura com um violão que agradecia ao motorista pela oportunidade, tinha uma roupa emgraçada, uma peruca amarela com uma boina por cima, camisa listrada, meia colorida e um allstar no pé… Foi para frente da condução e todos olharam ele com cara de eu não acredito que você vai fazer isso, nós queremos dormir. Até que surgiu a seguinte frase acompanhada do primeiro acorde. RESPEITÁVEL PÚBLICO!!!! PREPAREM-SE O ESPETÁCULO VAI COMEÇAR! Ele contou uma poesia musicada linda… Inventou que tinha uma ajudante lá atrás (final do ônibus) e nós acreditamos naquela mentira, ele conversava com a ajudante “Michele” o tempo todo e cantava uma música que tinha a palavra, Fenomenal, como refrão. E o ônibus já cantava com ele em alto e bom som! O motorista piscava as luzes do ônibus toda a vez que ele pedia… Ele dizia que a Michele gostava desse efeito de luz. O ônibus não era mais uma viagem e sim um show, duas meninas levantaram os braços e começaram a balançar no rítimo da música e eu acendi o esqueiro lá no alto como se estivesse no Rock and Rio ou cantando We are the World. Todos agora cantávamos a música dele… E ele ao nosso som contou uma poesia sem deixar de tocar os acordes no violão. Todos estávamos na mão dele… Para nós ele era um artista consagrado. E ele de fato é! Pra nós é! Quando de repente aquela mulher com cara de rica e soberba olhou pra mim e disse com toda aquela pose: Ainda existe coisa boa no mundo, SALVEM O ARTISTA POPULAR! 

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Os olhos da Alma

Quando meu pai morreu eu queria ficar perto dele porque sabia que não o veria mais. Embrulhei o corpo dele num lençol e fiquei de olhos fechados passando a mão no rosto dele para gravar o sentimento das feições faciais dele em mim. Tinha que levar esta última recordação. Levei muitas outras maravilhosas dele em vida, mas eu não queria levar somente a do caixão depois do acontecido. Sabia que ele não estava mais alí e que nada que eu fizesse o traria de volta. Ele estava oco, era só um recipiente... Neste momento eu tive certeza da alma. Tive que senti-la fora para ter certeza e entender que ela esteve dentro. Então à partir daí quando eu me concentro, fecho meus olhos e consigo sentir as feições do rosto do meu pai impressas na minha mão e mato de forma imprecisa minha saudade. É claro que eu já sabia da existência de algo que mora em nós e que nos faz únicos, mas pra mim não era tão forte... Descobri que nossa alma nos dá sinais de existência o tempo todo...  Enquanto estamos vivos estamos repletos dela. Quando a emoção nos vem aos olhos é como se ela gritasse: Socorro!!!!! Me vejam!!!! Eu estou Aqui!!! Não duvide de mim! Deus me deu pra você!!!!
E sou muito grato pelo dom que Deus me presenteou, por que no palco consigo me enxergar quando a emoção me grita aos olhos. 




Teatro Manaus, um teatro mais três galerias lotadas de um público muito talentoso.

segunda-feira, 28 de março de 2011

MONÓLOGO DA VOLTA



Quem tem a cara de pau de reativar um blog que tem entre dois e quatro anos de inatividade?
Que tipo de credibilidade se alcança com o abandono de tanto tempo?
Ver os meus registros antigos me fizeram entender que eles traduziam momentos que me construíram para que eu fosse o que eu sou hoje. Aconselho um blog para qualquer pessoa... E não ouse dizer que você não é interessante o suficiente. Não ouse se diminuir... Não na minha frente, ou pior... Não faça isso, principalmente, na sua frente. Eu posso te perdoar por isso, mas a gente raramente se perdoa... Não sem a ajuda de profissionais.

Bom, neste momento festivo, volto com o meu blog dizendo que estou pensando em fazer um monólogo.

Comentário da classe: Que ousadia!!

Comentário popular: EEEEEEEEE!!

Comentário dos eruditos: Que linha ele vai trabalhar??? Esse menino se acha pronto!!!!!

Comentário dos telespectadores: Esse menino...(pausa duvidosa), Ele é da Globo??!!!

Comentário dos revoltados: Vamos apedrejar o teatro!!!! (causando motim)

Comentário popular: EEEEEEEEEE!!

Comentário dos eruditos: Poupem o Municipal!!! Por favor!!!

A crítica: Nunca fomos ver um trabalho deste ator! Quem é ele? Já fez alguma grande produção? Ahhhh... então desculpe... (pausa arrogante), não saímos de casa à toa.

Comentário popular: EEEEEEEEEE!!

Comentário dos telespectadores: Esse menino...(pausa duvidosa), Ele é da Globo??!!!

Comentário dos revoltados: Vamos apedrejar o teatro!!!! (causando motim)

Bom, o de sempre. O que precisamos saber é que somos interessantes sim! E olha que não estou tocando nem no assunto: "Talento, temos ou não?". Acho que o importante neste momento é que nós somos o que nos propomos a ser.

E aí, quem é você???